23.3.07

Não linear

Enfim, o último post! Tudo o que é bom acaba no auge: o último programa do Repórter Esso, a última noite do Bar do Lulu, o último post do Elas por Elas.

Há exatos três anos eu começava um blog da mesma maneira despretensiosa com a qual termino hoje. Nesse meio tempo, muita gente entrou e saiu da minha vida, o que pode ser visto diretamente por quem assina nos comentários. Outras sempre estiveram e dificilmente deixaram de se fazer presentes.

O interessante é que, como eu escrevia por simples deleite, não havia uma proposta fixa para edição do blog, daí a inspiração na montagem não linear, onde se pode mudar algo que foi feito lá no início.
É admissível que, mesmo sem propósito definido, os escritos acabaram tomando a cara da cidade de Belo Horizonte... e nessa onda acabei ganhando leitores fiéis, alguns até exigentes quanto à regularidade. Além disso, o não linear virou roteiro de filme e até recebeu uma proposta editorial para se tornar um livro de crônicas ou sei lá o quê.

A minha mudança da capital mineira para a capital do Brasil é o contexto ideal para a próxima fase, para abraçar projetos diferentes do blog. A paisagem do cerrado nada mais tem a ver com a serra que fazia sombra na página alojada pelo Blogger Brasil.

Insisto mais uma vez: tudo o que foi escrito aqui é mera ficção, até porque está escrito. Não adianta tentarem lembrar de algum dia ou perguntarem se aconteceu de verdade (brigado, brigado!).

Quanto a meu próximo projeto pessoal, vocês me encontrarão por aí: no momento tem oscilado entre plantar uma árvore ou descobrir quem é a pessoa que todas as noites tenta disciplinadamente tocar um violino no bloco E de uma das superquadras que atravesso todos os dias.




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20.3.07

Leva

Foi bom eu ficar com você o ano inteiro
Pode crer foi legal te encontrar foi amor verdadeiro
É bom acordar com você quando amanhece o dia
Dá vontade de te agradar te trazer alegria
Tão bom encontrar com você sem ter hora marcada
Pra falar de amor baixinho quando é madrugada
Tão bom é poder despertar em você fantasias
Te envolver, te acender, te ligar, te fazer companhia

Leva
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz

É bom quando estou com você numa turma de amigos
E depois da canção você fica escutando o que eu digo
No carro, na rua, no bar estou sempre contigo
Toda vez que você precisar você tem um amigo
Estou pro que der e vier conte sempre comigo
Pela estrada buscando emoções despertando os sentidos
Com você, primavera, verão, no outono ou no inverno
Nosso caso de amor tem sabor de um sonho eterno

Leva
O meu som contigo, leva
E me faz a tua festa
Quero ver você feliz


Muita gente não percebe o real sentido de uma música quando foi composta. Quando Tim Maia escreveu "Leva", queria contar um pouco sobre a história do rádio e sua presença na vida das pessoas.

Uma lida mais atenta na letra acima nos passa exatamente a sensação de companhia que o rádio proporciona, com suas canções aleatórias e a locução que parte rumo a destinos desconhecidos.

Assim tem sido minha vida nos últimos anos: sempre que viajo pelo Brasil, procuro carregar pelo menos um radinho portátil, que me diz muito sobre onde estou e o que acontece na cidade, além de repetir músicas que, futuramente, recordarão os momentos em que estive longe de casa. Companhia certa e anônima de todas as horas, esse meio de comunicação tem o poder de fazer o tempo passar durante o trabalho e de aparar uma possível solidão.




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2.3.07

O homem encanecido



Outro dia, num ataque de desespero, eu me pus a arrancar loucamente todos os meus nem tão recentes cabelos brancos. Quase uma espécie de surto.
Primeiramente aquela sensação ruim de que o tempo passou, de que eu estou ficando velho de verdade. Aquela vontade de não ser gente grande, de não assumir aquelas responsabilidades chatas do falso mundo dos adultos.
Já num segundo momento, menos tenso e impulsivo, a garantia de que eu não podia frear o tempo, mestre maior, que passou e continua dando os seus passeios.
Por fim, a garantia de que estou na melhor idade da minha vida. Garantia essa que já me acompanha há mais de dez anos, passados e presentes pra sempre.




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27.2.07

Armadilha

- Uma pergunta curiosa: qual é o aumentativo de pão?
- Huuummmm... bisnaga, né?




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25.2.07

Escárnios e esquecidos

Fique atento: no fim de uma tarde chuvosa de segunda-feira, uma simples chamada no rádio do carro para uma dica cultural pode mudar completamente a sua vida... ou então vá terminar o dia em casa assistindo TV.




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14.2.07

Minha vocação para certinho

Sempre tive uma tendência muito grande a ser o respeitador de todas as normas que regem a nossa vida, sejam as leis de trânsito, seja o regimento interno do condomínio.

Essa minha postura não pode ser justificada de maneira alguma por conivência, tampouco por submissão. Acho que parto do seguinte princípio: para ser bom é preciso ser inteligente (até onde eu chego), mas para ser mau é preciso ser mais inteligente ainda. Admiro muito os revolucionários, mas não possuo talento para ser um deles. Minha competência é para ser o cidadão civilizado que critica a hipocrisia e luta constantemente para fugir da mediocridade. Não sou seguidor do Tyler Durden, líder do "Clube da Luta", mas um simpatizante ativo. Dou todo o subsídio necessário, mas não integro o seu comando. Para entender: não que eu seja um caxias, apenas não nasci com o dom de desfilar tranqüilamente portando substâncias ilícitas ou de praticar pequenos furtos ao patrimônio das grandes corporações.




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30.1.07

O técnico

O prestador de serviço fora contratado para executar uma tarefa óbvia na sua profissão: instalar novos aparelhos de ar condicionado numa repartição pública. Serviço pago na empreitada, metade antes, metade depois, através de licitação.
Chega no primeiro dia: analisa, olha o projeto do arquiteto, marca as janelas a serem cortadas. Conversa com a secretária, dá explicações de modo a tornar seu serviço difícil e importante.

Segundo dia, mais ou menos uma semana depois: chega, traz um assistente, mas não as ferramentas, curiosamente. Abre a caixa de um dos aparelhos novinhos. Retira alguns papéis, algo tipo o manual ou o certificado de garantia. Analisa os escritos, sem necessariamente lê-los. Saem os dois e voltam meia hora depois com a sacolinha de lanche na mão. Vão lanchar, afinal não dá pra trabalhar de estômago vazio. Num momento de digestão, nosso instalador vai conversar com um funcionário, seu conhecido. Após um bate-papo relaxante, ajunta os papéis no saco plástico de onde saíram e os guarda de volta na grande caixa de papelão. Após tudo isso, despedem-se da secretária, do chefe e, é claro, do funcionário conhecido.

Terceiro dia, mais para o fim da mesma semana: trena na cintura, grande progresso! Abre a embalagem do equipamento, tira os sacos com a documentação e os isopores de proteção que estão por cima, mas não o ar condicionado em si. Mede os aparelhos lá dentro mesmo e vai para as janelas, onde derruba algumas persianas (ai, ai, ai, mais uma contratação!) para fazer o seu serviço. O incidente com as persianas rende novo papo com a secretária, cheio de justificativas e acusações sobre serviço anterior mal feito. Algumas tentativas de se encaixar peças caídas depois, esgota-se o expediente, afinal seu serviço é com o ar e não com o cortinado da sala.

Semana que vem ele volta e, ao que indica, irá terminar o serviço.




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24.1.07

Samba da Biblioteca

Tem muito livro bom, tem muito livro p...

(Chico Buarque)




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17.1.07

Descaracterização

É na pré-alvorada, por volta de cinco da manhã, que a Cidade Industrial fica igual a São Paulo, que é igual a qualquer subúrbio industrial de qualquer lugar.
O cenário é o ponto de ônibus, repleto de trabalhadores agasalhados. Perto desses, o subtrabalhador que vende, atrás do caixote de feira, balas, chicletes e cigarros avulsos. Por lá passa outro com um balaio, que oferece pão amanhecido, salgados passados e café na garrafa térmica. Coletivos não param de chegar e parar por alguns minutos, uns meio vazios, outros completamente vazios. Ouve-se o rádio ligado numa das muitas estações cujo locutor dá bom dia, conversa com os ouvintes e executa músicas sertanejas.
São muitos: alguns velhos, outros envelhecidos. Suas roupas são cinzas para, mesmo que involuntariamente, combinar com os muros de fuligem, os telhados em forma de escada e as chaminés.
Tudo se repete num ritual silencioso e automático, cheio de sono e suor.





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4.1.07

O aroma

O incenso da manhã é o café.




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20.12.06

Chapa quente

Não tinha jeito: já havia um tempo que ela assumiu essa paixão por chapeiros. Isso mesmo: aquele cara que fica na chapa dos trailers, fritando hambúrgueres, ovos e porções.

Não era nenhuma fantasia secreta, era tara mesmo! Já tinha uma lista de todos que passaram pela sua frente. Ela não sabia muito bem explicar, mas sentia um imenso tesão quando via aquele cara usando um guarda pó ensebado com propaganda de qualquer coisa como cerveja, raspando e batendo aquela espátula na beira da chapa.
Não escolhia muito: podia ser mais novinho, casado ou qualquer coisa, desde que tivesse aquela testa suada pingando e aquele cheiro que misturava fumaça, gordura e comida.

Quando viajava para uma cidade diferente, logo procurava conhecer os trailers de lanche mais fim de noite e checava a situação. Apesar de estar muito a fim do carinha, ela não gostava de parecer vulgar em nenhum momento. Era tudo um jogo de sedução muito discreto e interessante. Pensava o tempo todo no momento em que ele desligasse o fogo e desgrudasse a barriga da chapa de bifes para então tê-la em seus braços. Nem por isso teria que parecer uma mulher fácil ou de maus modos.

Chegou o momento: ela passa a mão num cardápio que finge ler enquanto fita o chapeiro que, ao perceber sua presença, logo lhe pergunta:

- O que vai querer, mocinha?

- Ainda não sei. Dá uma cerveja enquanto eu penso...



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13.12.06

De outros carnavais

Como se aproximam os festejos momescos de fevereiro, resolvi fazer um apanhado dos meus últimos dez carnavais, e dar em espécie de título para eles, no melhor estilo "o nome do filme". De fato, alguns até poderiam se tornar roteiros de ficção...

1997 - Lafaiete ainda era bom
1998 - Necessidade de algo diferente
1999 - Nunca desperdice seu Carnaval
2000 - Inferno irreal
2001 - A descoberta da liberdade
2002 - Samba e desencanto
2003 - Uma multa em Pequi
2004 - Colombo, bonde e carmelitas
2005 - O reencontro dos amigos
2006 - Experiência: resistir até o último segundo

Em tantos anos de prática, descobri que há três tipos fundamentais de postura em relação à festa pagã: o que sabem aproveitar todo o espírito da ocasião, os que não conhecem a magia do Carnaval e o consideram apenas mais um feriado e finalmente o que não gostam mesmo.
Quanto a mim, digo que aproveitarei todos os que virão, enquanto tiver vida e saúde para isso.




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11.12.06

Esse meu coração

É interessante o poder que uma roda de violão tem de reunir ou dispersar pessoas, seja por qual motivo for.
Pode reunir quem gosta de músicas em comum, quem quer estar junto de certo grupo (ou de certa pessoa) ou quer simplesmente se aquecer, entre outras coisas mais.
Pode dispersar quem odeia rodas de violão, quem acha tudo isso uma baranguice hippie ou, no caso do violeiro tocar mal, todo mundo.

Um significado diferente consegui perceber nessas pequenas e improvisadas reuniões musicais: quando ela acontece em bares, festas ou quaisquer outros espaços em Conselheiro Lafaiete, surge um novo fator de aglutinação, o que também vale para outros espaços fora da terra de Queluz em que haja lafaietenses reunidos. Há certo momento em que é escolhida a música "Esse meu coração", do Valdênio, e todos cantam juntos o refrão, aparentemente a única parte que é de conhecimento geral:

Ah! Eu!
Vivendo nessa história de estrada de chão
Passando em "Morro Velho"... ah! Eu...
Ouvindo o meu coração


É interessante como surge uma certa identidade, e junta velhos e jovens, não necessariamente contemporâneos da referida composição lafaietense. Seguem-se os acordes dedilhados dessa música perfeita, e mais uma vez o aconchegante uníssono:

Ah! Eu!
Vivendo nessa história de estrada de chão
Passando em "Morro Velho"... ah! Eu...
Ouvindo o meu coração





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5.12.06

Observatório da imprensa

A ação da polícia no bairro Cachoeirinha resultou em um tiro na cabeça de uma grávida.
Segundo o jornal Estado de Minas, a moça perdeu o bebê e está internada. Já a mesma notícia no Aqui a declara morta.

Que dois jornais podem dar a notícia de maneira diferente, até mesmo mudando o fato, já é sabido. A incoerência se dá pelo fato dos dois veículos pertencerem ao mesmo grupo empresarial. Mesmo que o EM tenha o fechamento de sua edição mais cedo, talvez anterior ao óbito em questão, é necessário certo alinhamento na veiculação das notícias. Afinal, para que existe a segunda edição?




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29.9.06

Fiado só amanhã

Freguês educado
não cospe no chão.
Não pede fiado
e não diz palavrão.





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25.9.06

Se não güenta, por que veio?

Esses tempos muito chuvosos me lembraram a música Tempestade do Maskavo Roots, do melhor de seus discos, que leva o nome que dá título a esse post e de onde também vem a famosa "vou tomar um djorous".

O mais legal de Tempestade é que a música, apesar de manter o ritmo constante, apresenta duas partes bem distintas: uma primeira triste e a seguinte alegre. Traduz de forma perfeita os sentidos literal e figurado que a tempestade pode representar na vida da gente. Quem puder, vale a pena procurar a versão que tem a participação especial do Samuel Rosa, bem bacana mesmo.

Tempestade

Chegou a tempestade devastando o lugar
E quem viu desesperou-se e começou a chorar
O frio, queimando as plantas, castigando animais
A fome era o que mais assolava
Matando bons e maus em uma só tacada

O sol retoma logo a dianteira
Mandando avisar que o céu é dele e que tudo vai mudar
Tudo vai mudar

E já não existia mais tristeza no ar
Assim que o sol nasceu e começou a brilhar
A luz tranqüilizou toda a população
A chuva já não nos preocupava
Havia novo gás pra crowd da parada

É o sol quem toma conta do planeta
E manda avisar que o seu povo não precisa mais chorar
Não precisa mais chorar

(Post em homenagem à minha amiga Mila, que sempre encontrava o CD na seção errada da loja. O Maskavo Roots ficava na parte infantil apenas porque tinha uma capa colorida. Mila brigava com a moça da loja, que nada entendia de música, e colocava o CD no lugar certo, sempre com muita insistência.)






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21.9.06

Dia da Árvore

Na última noite uma forte chuva veio hidratar toda a secura deixada por um período de inverno. Apenas água caindo do céu, sem gente à toa na rua... ideal para o ouvir o silêncio e o som da chuva, muita chuva. Essa foi a primeira das muitas chuvas de verão que virão até o fim do ano para refrescar e lavar, nem sempre de maneira suficiente.

O tempo é de equinócio, equilíbrio perfeito entre o Norte e o Sul, quando o Sol brilha para todos. O Norte prefere chamar a época do ano de outono, o que para eles faz muito sentido. O Sul a chama de primavera apenas por sugestão, porque não a vê de fato, apenas sente o calor do verão.

Grande chance para aqueles que permaneceram congelados durante o inverno, independente de durante esse último ter feito frio ou não, saírem de seus recém derretidos blocos de gelo e acompanharem o dinâmico movimento de rotação, antes que sejam lançados para fora da Terra por inércia e voem pela tangente.




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2.9.06

Um reencontro decepcionante

Eu e poucos presentes havíamos percebido a sessão espírita que acabara de acontecer em um barzinho da moda, desses que têm palco e mesas de sinuca. Meu amigo Cyri, que nunca pegou num taco, havia incorporado o espírito do Ruy Chapéu e falou com os camaradas que estavam há horas tentando matar duas bolas: "vou mostrar como se faz". Num tacada só, matou as duas únicas bolas de maneira esplendorosa... e tudo isso apenas porque ele queria a mesa desocupada para encostar e assistir ao show na maior das folgas.

Resumindo: ganhamos a noite e já podíamos ir para casa satisfeitos, mas eu não conseguia me segurar... tinha que conversar com uma figura que eu reconhecia na minha frente, apesar de nunca ter visto mais gorda, no sentido mais literal que a expressão possa ter. Tratava-se de um dos primeiros professores que eu tive na vida. Claro que, conhecendo um pouco a vida dos professores, eu não tinha esperança nenhuma que ele me reconhecesse, o que seria normal àquela altura da noite e da vida.

O mais frustrante, no entanto, foi nem ele mesmo se reconhecer. Eu tentava dizer que um dos primeiros sermões que levei na minha vida foram dele (que não existam mais, por favor) e isso apenas porque eu insistia em não entender o garrancho que ele fazia no quadro negro. Ele, contudo, se revelava apenas um bola bêbada e decadente, que não conseguia terminar nenhuma frase que não fosse "é, eu tô ficando velho".

Nunca o idolatrei, nem tive minhas imagens de ginasial destruídas. Apenas achei desnecessário ter mexido com ele, porque não me acrescentou em nada. Melhor mesmo foi a tacada de mestre do Cyri...




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15.8.06

Crek!

Hoje eu acordei e senti um pequeno estalo ao pisar.
Banho e tempos depois, percebi que havia pisado nos meus óculos.
Bateu uma profunda dúvida:
que diabos estariam eles fazendo no chão?




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10.8.06

Admiração pela máquina perfeita

O episódio contou com a participação do João Claudino, notável técnico em informática.
Estava ele acompanhado de um estagiário, que mexia na máquina enquanto o Claudino propriamente não estava nem aí. Percebi que ele estava com aqueles famosos xerox de faculdade e não tirava os olhos da matéria, a não ser que fosse para dar um rápido esclarecimento ao seu aprendiz.
Eu, pouco bisbilhoteiro, perguntei o que tanto estudava, se ia fazer concurso ou sei lá o que fosse.
Falou que tinha prova à noite, que fazia faculdade de Educação Física. Demonstrei interesse e perguntei de que se tratava a matéria. Ele me olhou empolgado e começou a explicar alguma coisa sobre fisiologia, descrevendo a perfeita sincronia que existia entre movimentos sistólicos e diastólicos, com inigualável brilho nos olhos. Sustentou a perfeição de todo o seu funcionamento e como realmente valia a pena todo aquele estudo.

A essa altura, pouco se interessava pelo equipamento que tinha que consertar, tarefa cumprida pelo estagiário sob sua supervisão. Afinal, o que era aquela máquina, mera ferramenta, perto de algo tão precioso, constante e ritmado.




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não linear