Crônica de quarta-feira (quarta-feira crônica?)
Tá lá mais um corpo estendido no chão... hoje pude sentir direitinho todo o significado desta música. No canteiro central da Avenida Afonso Pena (e tinha lugar melhor para isso?), um tumulto de pessoas. Carro de polícia parado e um pacote de lona preto isolado por cordas, daquelas de quando tem desfile ou parada.
Do outro lado, na calçada, quantidade semelhante de pessoas a observar o movimento do meio da avenida. Parecia uma espécie de "velório do anônimo". Pessoas que olhavam e nada faziam, ou não tinham o que fazer e por ali estacionaram. Só faltou salva de tiros da polícia em homenagem ao recém morto.Não pude me furtar de perguntar o que aconteceu a um transeunte observador. Respondeu-me que fora um atropelamento, sem saber detalhes mais esclarecedores. Será que foi um cego que o meu colega de trabalho apressado que saiu mais cedo não quis ajudar a atravessar a rua?
Mais à frente, na praça 7, famoso palco de de indignados, protestantes e à-toas, um daqueles trios elétricos de servidores públicos, do tipo grevista. É, porque, de um tempo pra cá, só servidor público faz greve, quando muito. Não bastasse o barulho deles, no calçadão em frente
us mano de hip hop gritavam algo do tipo "vou denunciar, denúncia" e passavam um abaixo-assinado por alguma causa. Eu não quis assinar, já que ali eu era o único que não estava vestido para jogar basquete na NBA e não fumava... se bem que algumas garotinhas deles são até interessantes com suas calças big e seus cabelos para cima. No resto do calçadão somavam-se adolescentes junkies que tomavam vinho chapinha, jogadores de dama, skatistas e aquela tia doida que fala sozinha e tem uma bandeja de balas (acho que é a vizinha da Loló).
Como a tarde estava divertida, resolvi subir a Rio de janeiro em vez de Amazonas e variar de vez. Pude perceber que, se você for pelo meio da rua em vez da calçada, conseguirá uma vista maravilhosa da árvores sob o imenso corredor de prédios que aponta para o horizonte.
Bem, a dois quarteirões de casa havia outro corpo, só que vivo, sendo socorrido pela emergência. Esse não tinha muita graça porque o povo não se tumultou em volta especulando a queda do cidadão. Fiquei embaraçado em ficar sozinho olhando o procedimento dos paramédicos e segui caminho na esperança de encontrar outro tumulto por aí...
posted by deorótico at 5:29 PM