29.5.04

Desconfie, até que provem o contrário.




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21.5.04

Paixão por Coca-Cola®



Longe de ser o meu refrigerante favorito, a Coca-Cola®, como tudo na vida que não é utilizado em excesso, não faz mal. Muito pelo contrário, reune saúde e sabor.
Além de ser um ótimo acompanhamento para lanches e refeições, a Coca também se apresenta como um ótimo remédio. Sim, é a cura perfeita da ressaca! Aliás, a única cura. Esse negócio de boldo, água e gatorade é balela. Quando se acorda de cabeça zoada, gosto de guarda-chuva na boca e dor de cabeça, nada melhor do que uma Coca-Cola® de 600 ml. Se houver uma drogaria Araújo perto da sua casa então, peça para lhe aplicar na veia.
A tal fórmula misteriosa reúne a combinação ideal de cafeína, água e glicose: cura enxaqueca, acorda, hidrata e corta a bebedeira. Se você foi para a balada no meio da semana e precisa de trabalhar inteiro no dia seguinte, delicie-se com sua Coca matinal, não se esquecendo da dose do almoço e outras eventuais durante o dia.
Em tempo: nada supera a garrafinha de vidro, de 290 ml, de preferência tomada no bico. Além da ressaca, é perfeita em todos os momentos de sede... dependendo da ocasião, supera a água!




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19.5.04

Crônica de quarta-feira (quarta-feira crônica?)

Tá lá mais um corpo estendido no chão... hoje pude sentir direitinho todo o significado desta música. No canteiro central da Avenida Afonso Pena (e tinha lugar melhor para isso?), um tumulto de pessoas. Carro de polícia parado e um pacote de lona preto isolado por cordas, daquelas de quando tem desfile ou parada.
Do outro lado, na calçada, quantidade semelhante de pessoas a observar o movimento do meio da avenida. Parecia uma espécie de "velório do anônimo". Pessoas que olhavam e nada faziam, ou não tinham o que fazer e por ali estacionaram. Só faltou salva de tiros da polícia em homenagem ao recém morto.Não pude me furtar de perguntar o que aconteceu a um transeunte observador. Respondeu-me que fora um atropelamento, sem saber detalhes mais esclarecedores. Será que foi um cego que o meu colega de trabalho apressado que saiu mais cedo não quis ajudar a atravessar a rua?

Mais à frente, na praça 7, famoso palco de de indignados, protestantes e à-toas, um daqueles trios elétricos de servidores públicos, do tipo grevista. É, porque, de um tempo pra cá, só servidor público faz greve, quando muito. Não bastasse o barulho deles, no calçadão em frente us mano de hip hop gritavam algo do tipo "vou denunciar, denúncia" e passavam um abaixo-assinado por alguma causa. Eu não quis assinar, já que ali eu era o único que não estava vestido para jogar basquete na NBA e não fumava... se bem que algumas garotinhas deles são até interessantes com suas calças big e seus cabelos para cima. No resto do calçadão somavam-se adolescentes junkies que tomavam vinho chapinha, jogadores de dama, skatistas e aquela tia doida que fala sozinha e tem uma bandeja de balas (acho que é a vizinha da Loló).

Como a tarde estava divertida, resolvi subir a Rio de janeiro em vez de Amazonas e variar de vez. Pude perceber que, se você for pelo meio da rua em vez da calçada, conseguirá uma vista maravilhosa da árvores sob o imenso corredor de prédios que aponta para o horizonte.

Bem, a dois quarteirões de casa havia outro corpo, só que vivo, sendo socorrido pela emergência. Esse não tinha muita graça porque o povo não se tumultou em volta especulando a queda do cidadão. Fiquei embaraçado em ficar sozinho olhando o procedimento dos paramédicos e segui caminho na esperança de encontrar outro tumulto por aí...




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17.5.04
Aqueles tempos... coisa que não vivi

Muitos já devem ter assistido ao filme 11 homens e um segredo. Sensacional trama sobre o crime perfeito em que se vibra com a genialidade dos ladrões para assaltar milhões de cassinos de Las Vegas.
O que a maioria não sabe é que existe uma versão antiga do mesmo filme, que se passa naquela época glamourosa dos cassinos, em que os homens andavam (sempre) de terno e fumavam, sem exceção. Sai George Clooney e entra Frank Sinatra. Micros e monitores de vídeo não existiam, e toda a espionagem é feita com aquela charmosa discrição do rabo de olho.
Entre uma armação e outra, os sujeitos ficam jogando caça-níqueis para disfarçar sua presença no sagüão. Nesse momento, ainda trocam olhares com aquelas loiras maravilhosas e suas luvas compridas, nada de ficar no quarto do hotel bisbilhotando com microcâmeras.
Não tiro o mérito da nova versão, apenas percebo uma época que se foi, junto com as big bands e suas dezenas de dançarinas.
Sim, até as mulheres mais vulgares de Las Vegas eram monumentos de elegância, não porta-silicone.
Para quem assistiu e gostou da nova versão, excelente pedida.




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16.5.04

Feliz ano novo

O brasileiro precisou trabalhar até o dia 15 de maio de 2003 para pagar impostos e contribuições federais, estaduais e municipais. Estudo do IBPT (Instituto Brasileiro do Planejamento Tributário) mostra que no ano passado o brasileiro trabalhou quatro meses e 15 dias para pagar impostos.

Depois de ler essa matéria da Folha Online, cheguei à seguinte conclusão: hoje é o meu primeiro dia do ano. Os outros, pelo menos financeiramente, foram dedicados ao governo. A partir de agora posso começar a gastar comigo, e fazer aquelas coisinhas simples e consumistas que causam certa satisfação.




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15.5.04

Crônica de condomínio (II)

Certa manhã fui surpreendido com um pedido do porteiro para eu abaixar o volume do som. Segundo ele, um vizinho estava reclamando. Tudo bem, fiquei puto, mas acatei o pedido sem reclamar. Achei melhor não descobrir o morador para não marcá-lo, e nem ficar com raiva.
Não é que a figura me encontra ontem no elevador e faz questão de se identificar que era ele "o cara que pediu para abaixar o som"? Será que não estava satisfeito em ter seu pedido atendido? Ainda por cima queria se justificar e ficar com a política de boa vizinhança. Nada contra a hipocrisia dele, só que o problema é que o sujeito é boiola e só foi puxar esse assunto para ficar falando mole comigo.
Dá um tempo, viu!





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12.5.04

Crônica de condomínio

Semprei fui fã de uma rotina, mesmo sabendo que são massacrantes, bitolantes e estressantes. Por outro lado, nossa vida toma aspectos interessantes de acordo com certas escolhas, às vezes as mais simples acarretam transtornos ou chateações impensados.
A partir dos próximos posts vou tentar compartilhar um pouco da esquisitíssima vida de morador de condomínio que eu levo. É fato que, com o crescimento das cidades e o empilhamento da população, grande parte dos cidadãos metropolitanos abandonou suas casas, casebres, vilas e chácaras para viver em prédios, apartamentos, quitinetes e demais variantes de cubículos.
Quem viu Edíficio Master de Eduardo Coutinho sabe muito bem do que eu estou falando. O meu condomínio é bastante parecido com o do documentário, no caso um prédio classe média de conjugados em Copacabana.
Aqui se vê todo tipo de gente, mas dá pra traçar um perfil bem claro: profissionais liberais, aposentados, estudantes, poucas famílias e crianças num prédio com apartamentos de um ou dois quartos.

Seria muita pretensão eu querer transformar a obra do Coutinho em crônica. É apenas uma identificação que eu tenho em relação aos personagens do Edíficio Master. São peculiaridades, problemas, momentos e pessoas típicas de condomínio. Pode-se dizer de uma raça urbana em processo de evolução.




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7.5.04

"Ele só podia comer maçã
mesmo assim só comia metade pra não engordar
Ele não podia
molhar
porque
seu cabelo não era à prova d'água
toda vez que ele molhava enrolava.
Sua lente o fazia diferente
Dessa forma ele vivia alegremente,
secador, maçã e lente
secador, maçã e lente."

Marina Machado





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3.5.04

Minha turma de faculdade, quase dois anos depois:

Amanda voltou pro interior, está pensando numa pós - Bianca arrumou um emprego na TV, mas dizem que é só pose e ganha um salário de fome - já o Carlos, ah o Carlos, que ninguém dava nada por ele, passou nO concurso, só anda engravatado e assessora ministros e secretários de Estado (as meninas até dizem que ficou mais bonito, bando de interesseiras) - Diana ficou um ano na França e falou que lá se vêem mais mineiros que em Cabo Frio... não agradou nem um pouco da idéia, agora pensa na Austrália - Eduardo ficou mais doidão que já era, pelo menos na aparência. Diz que quer mexer mesmo é com música e por enquanto aluga um estúdio que montou junto com aquele cara da Biologia - Fábio continua naquele empreguinho medíocre dele, também com dois filhos para sustentar, não arrisca mais nada - o Geovani sempre manda e-mails mostrando seus trabalhos de internet, mas até hoje acho que ele não sobrevive disso - a Hilda se casou e não deu mais notícias - Isabela pintou o cabelo de outra cor e vive de fazer bicos em feiras e eventos, afirma que ganha mais que em emprego fixo - a Janise ficou mais gorda e continua trabalhando na assessoria da universidade, só que agora de carteira assinada - por falar em assessoria, a Kelly agora é do alto escalão da Fiat, será que a garota não tem o direito de se dar bem como todos nós? Silêncio, suas víboras - Lúcio se decepcionou com a carreira política, começa a investir na acadêmica - Marcos está numa das melhores agências, o cara nasceu pra isso - Nandinha não sabia bem o que fazer e pediu continuidade de estudos - Poliana virou funcionária pública, está se dando bem - QUEM DE NÓS SABE DA MAYRA??????? POR ONDE ANDA?????? - Roberto saiu da casa dos pais, ganhou bolsa de mestrado e dá aulas em faculdades particulares por aí - a Sara continua gostosa, comprou uma câmera digital e agora inventou de ficar tirando fotos das pessoas nas festas de mudernos, e por conta disso entra de graça em todas as baladas - Tati agora cursa Ciências Biológicas, mas continua namorando com aquele mané - o Véi continua estudando para o concurso da polícia federal - enquanto Yara montou a própria agência junto com umas calouras e vai sobrevivendo - e o Zé? Bem, o Zé tá aqui falando e pensando na vida de todo mundo, com muita chance de fazer alguma coisa da própria... cada ex-acadêmico toma um destino, se você não pegar o seu rumo, ele te pega. É muito bom ter o espelho dos colegas, com aquele inconveniente de sempre que se encontra aguém por acaso ter que responder à pergunta padrão: - "O que você está fazendo?" - "Estou andando na rua, e você?" O pior é a resposta ser sempre a mesma: para uns você responde empolgado, para outros só por obrigação ou por falta de assunto, até mesmo por simples curiosidade. Mas bom mesmo é saber que dos colegas de faculdade ficaram verdadeiros amigos, do tipo que a gente quase nunca vê e quando encontra esse tempo distante não faz a menor diferença.




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2.5.04

Fui assistir ao filme As bicicletas de Belleville. Muito bem feito, cheio de cenas politicamente incorretas, coisa que não se vê há muito tempo nos desenhos da Disney (lembram-se do sapo que fumava?). Fiquei chocado como quase todos na cidade são gordos. Como pode? Desde a estátua da liberdade até a estutatueta do Oscar, o que se via eram muitas figuras gordas. Destaque para o picolé e o churrasquinho de sapo, que apesar de não ser a intenção literal do diretor, remeteu à expressão "engolir sapo".




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não linear