Orgulho besta e provinciano
Ontem voltei ao Cartola Bar, no Caiçara, depois de um ano e meio sem aparecer por lá. Para quem não conhece, o Cartola era aquele botequim copo sujo que apresentava músicos tarimbados com o melhor do choro, samba, bolero e aquelas outras músicas das antigas. Freqüentei lá aos domingos por pouco mais de ano até o lugar ser invadido por
mudernos, típicos estudantes da FaFiCH. Comecei a ser tomado por ódio e também ciúme daquele povo que descobriu "o nosso cartola". Antes do negócio se tornar febre no meio neotropicalista, decidi abandonar o referido botequim e decretá-lo como perdido.
Depois da noite de ontem, revi minhas posturas radicais e ainda acabei gostando do ambiente. Muita coisa mudou por lá depois desse mais de um ano, algumas para melhor. Para quem conhecia o velho Cartola, o novo fica na mesma rua Vila Rica, dois quarteirões abaixo do antigo.
Os músicos continuam os mesmos, principalmente aquele cara de bigode (virou cavanhaque) branco que manda muito bem no violão, mesmo tomando todas. Senti falta da Solange, dona do bar, cantando. Alías, o som foi quase que exclusivamente chorinho, e ainda cobram um couvert de R$3,50, parte desegradável da mudança.
A cerveja está mais ou menos a mesma coisa... muitos garçons e funionários servindo.
O público também se diversificou bastante, incluindo a juventude do bairro e os adultos de outros cantos da cidade, com direito a tomador de conta na porta do bar.
Definitivamente, não tenho razão para não querer que crescessem... não será mais o velho Cartola sujão, mas certamente continuará como mais uma referência da boa e velha música no Caiçara.
posted by deorótico at 5:08 PM