27.2.05

Quero alguém que me leve para a cidade do Funky

Tudo aconteceu num simples churrasco de fim de ano. Meus planos: ir e voltar cedo, pois tinha um compromisso (e profissional) marcado para a tarde. Bom, eu mal sabia que, depois daquele dia que se estendeu até a noite, minha vida nunca mais seria a mesma.

Logo pela manhã, chego para pegar a van até o sítio e percebo que não conheço ninguém, exatamente nenhuma pessoa que vai à festa. Viagem muito longa. Será que eu voltaria a tempo? "Qualquer pressa era só pegar carona com alguém que voltasse mais cedo", pensei, assim me garantindo.

Chegando lá, só com muita cerveja para ouvir o cantor de churrasco que brigava com um desajeitado violão. Todas essas cervejas depois, acabei conhecendo pessoas, num ambiente onde até então eu era um ilustre anônimo, com direito a todas as formais apresentações.

Empolgação, alegria e tudo mais rodando... não me lembro de mais nada. Apenas que acordo numa cama desconhecida com aquela nítida dúvida no melhor estilo: onde estou? Disseram que eu havia dormido na cama da dona do sítio. Depois que me localizei, a dúvida maior era encontrar os demais: onde estão todos? "Bem que tentaram te acordar, a van já foi embora, mas alguém ainda pode dar carona." - foi a informação recebida.
Pelo menos ainda havia uma mocinha com quem troquei telefones, uns beijinhos e nunca saí para tomar o sorvete que nós combinamos para qualquer dia desses...

Um ilustre negro desconhecido oferece carona para sair daquele fim de mundo, e eu não queria largar de beber! Ainda nos fez esperar no carro, enquanto foi ao bairro Ouro Preto para a casa de uma namorada. E eu queria mais... o fogo no rabo era muito. Detalhe: o céu desabava, chovia copiosamente... qualquer pessoa sensata iria para casa se esconder de uma possível inundação. O meu salvador até passou em frente ao meu prédio, mas eu queria sair, porque tinha que sair.

- Pode me deixar nA Obra! - foi a minha ordem, como se eu estivesse no direito de mandar alguma coisa.

Fui conduzido até a praça da Liberdade e abandonado sob o temporal, com a alegação puta de que ele queria ir para casa. Corri encondendo-me sob marquises até chegar à Obra. Lá rolava a festa Disco Inferno, anos 70. Só a música mesmo, porque gente quase não havia lá. Tomo cervejas e converso com o Tião do bar sobre como estava vazio (óbvio, se alguém saísse de casa morreria afogado).

Toca Funkytown, do Lipps Inc., e eu encontro a morena mais linda da noite, típica belorizontina. Seu nome: Soraia. Eu, bêbado e sozinho, jogo o papo mais errado na garota e ela dá confiança. Chamo a garota para ir ao Mineirão no dia seguinte (véspera de Cruzeiro campeão brasileiro, contra o Paissandu), e ainda arremato cantando a musiquinha cretina que levava seu nome:

Quem está batendo na portinha do seu coração?
Quem está batendo na portinha do seu coração?
Soraia
Abra a janela querida!
A noite está tão linda!
A gente ama você...


A minha vida bêbada teria início naquela noite que havia sido dia em algum momento. Por volta de pouco mais de um ano depois, terminaria do mesmo jeito que começou: sem eu menos perceber.




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22.2.05

Regressão

Uma reflexão profunda me fez perceber que estou igual há exatos dez anos atrás: não estou saindo, ando jogando video game e assistindo a aulas de Português, Matemática e Geografia.




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21.2.05

Fato

Já observei em alguns dos comentários aqui deixados que as pessoas procuram alguma maneira de ratificar o que eu escrevi, perguntando coisas do tipo: "quando foi isso?", ou então: "você nem me chamou, hein?" e o melhor de todos: "isso aconteceu mesmo?"
Uma importante lição literária é que tudo o que foi para o papel se torna ficção, mesmo que seja reprodução fiel de fatos reais. Portanto, a veracidade de um blog não é tão importante, uma vez que a preocupação maior é transmitir a mensagem.

O que dizer então sobre isto?
Hora e local: sábado, por volta de sete horas da manhã. Feira na rua, cidade de Barbacena, vulga BQ.
O acontecido: dois camaradas, com aquele jeitão de pião mesmo, andavam um tanto quanto desvinculados de suas funções vitais entre as barracas, em busca de sanduíche ou qualquer pastel que fosse. Como não acharam nada que os saciasse, restou serem seduzidos pelo aroma do café moído na hora (um deles comprou um saco de meio quilo) e pela coroa enxuta e fabulosa que desfilava com seu jeans entre frutas, verduras e CDs.

A explicação para este fato está na Bíblia: Quem viu dá testemunho, e seu tesmunho é verdadeiro. (Jo 20, 35)




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3.2.05

Outros eventos

Quando eu digo que coisas simples tipo uma pasta sanfonada me fazem feliz, não estou mentindo. Hoje percebi que meus problemas são muito, mas muito pequenos mesmo. Tudo se resumia a um documento perdido e um carro com buzina e retrovisor estragados. O documento tirei outro e o carro foi consertado ainda na garantia, sem custo algum. Pronto! Agora sou um cara sem problemas e completamente tranqüilo. Para quem não me encontrar por aqui nos próximos vinte dias, não reclame pela falta de atualizações. É tudo uma questão de breves férias... seguirei viagem e lá pelo final do mês darei sinais de sobrevivência.




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não linear