31.3.05

Um cara muito louco



Não conheço nada sobre a história do café e imagino que todo o processo percorrido até obtermos esse néctar dos deuses presente em nossas mesas, copos lagoinhas e descartáveis deva ter sido longo e baseado em tentativa e erro.
De qualquer forma, não consigo imaginar que um cara deve ser muito louco para olhar para uma semente, ter a idéia de torrá-la, moê-la e depois fervê-la! Como ele conseguiu pensar em tantas etapas tão diversas e obter uma bebida fabulosa? Só sendo muito louco mesmo...



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24.3.05

Mas...

Quebre a sua televisão
Deixe o automóvel na garagem
Arranje um namoro só de cada vez
Leia algum grego todo dia


(Chico Amaral)




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14.3.05

Belo Horizonte menos BH

O governo estadual anunciou nas rádios (nunca vi gostar tanto de fazer propaganda) que, a partir desta semana, os ditos vôos domésticos deixarão de operar no aeroporto de Belo Horizonte e serão todos transferidos para o aeroporto de Confins. Toda essa mudança gera uma complicada e longa polêmica de cunho principalmente político.

Tá bom: vão me dizer que o aeroporto da Pampulha não tem estrutura, que é menor que a rodoviária e tudo mais. O fato é que estou pouco me importando com esses argumentos racionais, pois o amor é irracional, inclusive o que tenho pela cidade.
Não há coisa mais legal do que ver uma grande aeronave aterrissando quase dentro da lagoa, formando uma paisagem ímpar. Sem contar a excelente localização, fazendo com que as pessoas se desloquem ao centro da cidade com relativa rapidez. Outro impacto positivo era para os visitantes que chegavam à cidade e se deparavam com aquele bairro bem bacana na região da Pampulha, cheio de casas iguaizinhas...

Tudo bem. Seja por politicagem, ou por qualquer justificativa, muitos vão sentir falta de decolar em BH, de dar "oi" ou "adeus" para a cidade numa de suas regiões mais charmosas.




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12.3.05

Pagodão do Ricardão

Contrariando a opinião de intelectuaizinhos oriundos da FaFiCH que não sabem nem por onde está a cabeça deles, eu não sei a diferença entre samba e pagode. Tavez seja ver onde cada um toca... aquela coisa no fundo do quintal, no meio de uma festa, é um dos melhores pagodes dos últimos tempos, certamente.

Não agüento a postura pretensiosa desse povo cabeção que diz: "samba de raiz é que é bom." e lamento informar para esses freqüentadores do Cartola Bar e do Opção Bar que o samba de hoje é bom sim, que não morreu com Noel Rosa. Sinceramente, eles não sabem a diferença entre samba de raiz, de breque, de roda e de partido alto. Só gostam porque está na moda do povo que usa óculos de aro grosso.



Faço uma homengem aos pagodeiros legítimos, que mandam bem há mais de vinte anos, deixando aqui as dez mais do gênero na minha radiola mp3:

1 - Caxambu Almir Guineto
2 - Vou festejar Beth Carvalho
3 - É preciso muito amor Chico da Silva
4 - Undererê Eliana de Lima
5 - Deixa a vida me levar Zeca Pagodinho
6 - Madalena do Jucu Martinho da Vila
7 - Isso é fundo quintal Leci Brandão
8 - Coisinha do pai Jorge Aragão
9 - Deixa eu te amar Agepê
10 - Não deixe o samba morrer Alcione




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10.3.05

Padaria Art Pão

- A senhora é uma das poucas pessoas que falam duzentos - a balconista disse, satisfeita, à cliente - A maioria dos clientes fala duzentas gramas, e não duzentos, como a senhora. Esse é o jeito certo, mas eu tenho vergonha de corrigir as pessoas - continuou a funcionária.
Eu também faria o mesmo elogio se o pedido da polida freguesa não tivesse sido duzentos gramas de mortandela.




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6.3.05

Crônicas de condomínio (VI)

Lembro-me de certa vez ler o Roberto Pompeu na Veja dissertando sobre a obra de um escritor italiano que consagrava a invenção do elevador. Todo o nosso modo de viver hoje se deve à existência desse meio de transporte que verticalizou o ambiente das pessoas, sem o qual os grandes centros urbanos teriam um aspecto muito diferente do que nós conhecemos hoje.

Tá bom, resolvi escrever sobre o elevador porque já tinha vontade há um bom tempo, mas de hoje não poderia passar. O fato é que cheguei em casa a essa hora, cansado, e parece que toda a chuva que caía na rua rua resolveu adentrar o condomínio e inundar toda a área comum, fazendo com que eu subisse catorze molhados andares de escada.

Ao mesmo tempo em que o elevador é útil e genial, ele ocasiona breves momentos de grande constrangimento. O mais normal e corriqueiro é o de pessoas que não cumprimentam, tampouco se despedem.
Eu faço minha própria regra de etiqueta social: se já estou no referido habitáculo e algum transeunte adentra o recinto, emito o tradicional "bom dia/ boa tarde/ boa noite." Se a pessoa responde, já é outro problema. Não sei se dói falar "bom dia" por simples regra de boa educação. O que mais escuto são resmungos e gemidos, mais pronunciáveis que publicáveis, do tipo:

"dchi"
"hum"
"omdi"
"an"

Parecem pessoas sem alma, que estão ali como zumbis matinais ou vespertinos, levados por alguma força rotineira sinistra. Num termo mais exato utilizado por Francisco Otaviano "não é homem, apenas espectro de homem."
Também é bem claro que quem sai primeiro se despede. Não é nada bom falar com o cara quase no corredor: "ou, tchau, né?".

Por fim, quando se desce com um amigo e, no meio do trajeto, surge um estranho com cara idem, restam duas opções fatais: ou o papo é interrompido, ou a conversa continua mesmo assim, deixando o outro alheio e mais estranho do que já era. E ainda há gente que tenta amenizar falando sobre o tempo nesses quarenta segundos que parecem durar, no mínimo, uns vinte minutos.




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não linear