En Cinemascope et Eastmancolor
Interessante a minha paixão por cinema. Não entendo muito de filmes, não conheço todos os clássicos, sou defasado em relação aos lançamentos e é normal eu não reconhecer os atores e diretores nem pelo nome, nem pela cara.
No entanto, se for desconsiderada a minha relativa ignorância fílmica, sou capaz de trocar os mais diversos programas e passeios por aqueles momentos de completo isolamento em relação ao mundo. Tempo de assistir a imagens projetadas à minha frente e me envolver completamente com elas. Sem contar que tudo isso ainda faz parte de uma experiência escura e coletiva, que leva a momentos de completo silêncio no meio de muitos e também a rir, quando não se acharia tanta graça em algo, se estivesse sozinho.
Percebi essa forte atração essa semana, quando peguei aquelas duas horas do dia, as únicas que tenho só para mim, para fazer o que quiser: lanchar, ler jornal, andar à toa, encontrar alguém... enfim um breve espaço de tempo que, às vezes, costuma existir entre o trabalho e a aula. Tinha as duas horas pela frente, mas o que quis fazer? Correr para pegar uma sessão (gratuita ainda por cima) das 17h no Cine Humberto Mauro.
O filme?
"E Deus criou a mulher", clássico francês com a maravilhosa Brigitte Bardot. A identificação foi completa. Quando vi o mocinho de vinte anos que queria se casar com a garotinha que era de todo mundo, lembrei-me da minha ingenuidade nessa idade. Os preconceitos da época, que nada mudaram até hoje, também me fizeram lembrar do mundo lá fora que, muitas vezes, ignoro.
Destaque para o breve diálogo que ela trava com uma educadora que tenta abordá-la na livraria em que trabalha:
- Nós podemos aceitá-la de volta como interna em nossa instituição. Para isso você só precisa de ir a um médico e trazer um atestado.
- Como assim?
- Um atestado de que você ainda é moça.
- Desculpe-me, mas eu não sabia que o amor agora tinha virado uma doença. Pode ficar despreocupada que você está vacinada.
posted by deorótico at 3:15 PM