Do Amor
Não esperava mais nada do fim de semana num domingo depois das onze da noite. Tudo o que era pra acontecer já tinha sido, fosse bom ou ruim.
Pois bem, hora de ir para casa depois de tanto tumulto, não fosse um acontecimento trágico no meio desse caminho. De repente, vários caras começam a se pegar no meio da rua. E eram tipos mal-encarados, daqueles que dá medo ousar olhar na sua direção.
A porrada come solta, envolvendo cada vez mais gente. Gente que chega descendo o morro correndo. Gente que foge também descendo a outra metade do morro e até mesmo pessoas que param o carro e entram no meio para bater ou apanhar.
Fico atordoado com toda aquela cena que, apesar de intensa, foi breve. O nó na garganta perdura e eu procuro o primeiro botequim para me refugiar. Peço um refrigerante e um cigarro, na falta de dinheiro para tomar uma cerveja. A minha cabeça ainda dá voltas, e a mesma sensação de engolir seco sempre me vem à boca quando ouço gritos vindos da rua.
Sentado no bar, sinto um bafo quente e nojento vindo da cozinha. Vejo casais, famílias... até chegar num grupo de três
playboys na mesa ao lado. Discutiam, como todo mundo faz agora, se é melhor ou não vender armas para as pessoas, utilizando todos aqueles mesmos argumentos muito bem aprendidos através da televisão.
De saco cheio, só penso que isso não faz diferença nenhuma na minha vida. Se proibirem ou não, não sairei para comprar armas em nenhum lugar. Lembro-me, então, da cena de violência vista ainda há pouco. E se alguém no meio daquela bagunça estivesse armado? Será que algum estava? Fico triste, muito triste, e silencioso.
posted by deorótico at 12:30 AM