16.12.05

Eufemismos

A onda do politicamente correto lançou termos muito estranhos e inaceitáveis, aumentando ainda mais os inimigos da santa cruzada contra a hipocrisia. Vou eleger os dois que não me descem de modo algum.
O primeiro é descrever uma pessoa burra como o tipo "que não é burro, apenas tem dificuldade para aprender". Em resumo: é um mentecapto, apenas querem poupá-lo do adjetivo rude e antipedagógico. Temos que assumir que o nosso mundo é feito de pessoas que se diferem das outras pelo funcionamento de seus cérebros.

Outro termo, que já partiu pro ofensivo, é dizer que uma mulher é "bonita de rosto". Essa expressão toda serve para falar que ela é gorda. Será que uma pessoa, mesmo que acima do peso, não pode ser simplesmente bonita? Por que essa ressalva após o adjetivo? Falo que é bonita, e só, quando acho bonita mesmo, de maneira bem descomplicada.

Se as pessoas tiverem mais sinceridade para, ainda assim de maneira educada, dizerem o que querem, mais uma batalha desta guerra estará ganha.
Em tempo: os dicionários politicamente corretos aboliram certos termos, mas temos que olhar com cuidado e atenção, porque ainda existem orfanatos, asilos e manicômios. Com outros nomes, sabe-se lá quais são, mas existem.




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12.12.05

Continuo FAN

Há exatamente um ano eu fazia uma declaração de amor. Nesses 108 anos de BH, eu ratifico essa paixão e o quanto eu me sinto cada vez mais belorizontino.

Tudo começou quando a cidade ainda tinha 99 anos e um grupo de estudantes secundaristas do Colégio Santo Agostinho resolveu fazer um vídeo mostrando um dia na cidade. O roteiro incluía um passeio de barco no Parque Municipal, um bate-papo com um bêbado do Mercado Central e mostrava o universo cult do cinema Belas Artes. Tudo terminava com uma apresentação da banda dos garis da SLU na praça Sete, com uma música educativa que tinha o seguinte refrão:

Esta é a cidade
de Belo Horizonte
de Belo Horizonte
Que vai ficar mais limpa
com a coleta seletiva
com a coleta seletiva


E nada melhor do que comemorar hoje, comendo o bolo de aniversário na praça da Estação, às 20h, ao som do Nação Zumbi. Todos os cidadãos estão convidados.




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10.12.05

Registro importante



Encontrei isto enquanto tentava dar mais uma das faxinas. Aconteceu há uns seis anos, pouco antes da morte do garoto James Dean.




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7.12.05

A amiga do Dr. Robert

Ela já estava cheia daquilo tudo. Depois de seis anos de namoro, percebeu que nada mudava. O namorado gostava das mesmas bandas gaúchas dos anos 80: TNT, DeFalla, Replicantes, Cascavelletes. Ela mesma viu várias delas surgirem e desaparecem, foi a vários festivais Planeta Atlântida e achava tudo muito legal.

Passado tanto tempo, percebeu que o gosto musical do parceiro, que a esta altura já era nostálgico, era tão invariável quanto o próprio. Nada contra ouvir Surfista Calhorda, Menstruada ou Dr. Robert's, mas tinha que ser só aquilo?

Resolveu dar um tempo no namoro. A descoberta de que existia vida além do rockzinho passado também a fez perceber que o namorado e os demais amigos dele eram inflexíveis e parados no tempo. Foi muito bom saber que existia rock'n'roll nos anos que se seguiram, que a vida continuava e que ir às mesmas festinhas para celebrar a memória de um movimento musical estava por fora.

Era chegada a hora da decisão: ainda gostava do namorado. Será que daria uma nova chance para ele, mesmo sabendo que gostava de coisas além daquele mundinho? Ainda estava pensando... quando e onde decidir? Quem sabe numa Festa Punk?




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1.12.05

Vontade louca de viver intensamente



Acordar cedo e se arrumar, mesmo que seja apenas para ir à padaria e cumprimentar a moça que lá trabalha com um "bom dia" e um sorriso contagiante que ela não esperava.
Correr o mais rápido que puder pela rua, sem necessariamente ter pressa para alguma coisa.
Dançar alucinadamente, independente do tipo de música que estiver tocando, até mesmo sem tocar música.
Dar a chance àqueles amigos que você queria ver mais, e também àqueles que são seus amigos potenciais.
Cantar à toa em qualquer fila ou ponto de ônibus, não importando se alguém te achar louco ou qualquer coisa que seja.
Entrar no clima do momento, saber curtir as poças da chuva ou os reflexos do sol.
Não reclamar da vida, e não deixar que os outros que fazem isso no elevador, na rua ou no seu caminho possam sugar sua energia.
Descobrir a vida numa pessoa, construção ou paisagem, mais do que nunca.



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não linear